Rever e completar.
O diário Paquete do Ultramar foi o primeiro periódico português privado dirigido às questões ultramarinas. O jornal era redigido pelo funcionário da fazenda, o "filho do país" Joaquim António de Carvalho e Menezes (1791-186?), nascido em Luanda, com raízes inter-raciais, sendo neto de uma escrava alforriada, que posteriormente seria deputado às Cortes, acabando por retirar-se para o Brasil . Apesar de no editorial inaugural, o redactor assumir a posição do colonizador ao chamar a atenção para as riquezas das "nossas possessões ultramarinas", propunha-se denunciar "o abatimento, e a miséria" em que viviam, num ambiente onde prevalecia a "resignação, e a indolência dos escravos, que conhecem a sua impotência contra o jugo que os oprime" por exclusiva culpa da política do poder metropolitano. Denunciava como os "habitantes do ultramar" tinham olhado com esperança o movimento regenerador liberal, sentindo-se nesse momento defraudados por a "mãe pátria" não ter querido "repartir com o ultramar o benefício da liberdade", tendo o governo português continuado "a ser egoísta, parcial, mesquinho e sobre tudo surdo aos clamores dos Portuguezes d'Africa e d'Asia". Publicado no fim do ciclo setembrista, o jornal envolveu-se, entre outras questões, na polémica internacional com a Inglaterra sobre o tráfico de escravos, colocando-se ao lado da causa portuguesa. É legítimo afirmar que este jornal inaugura na metrópole, ainda no rescaldo da independência do Brasil e no quadro de um regime político que tardava a estabilizar, o debate público sobre o lugar do "ultramar" no projecto liberal português.
Lisboa, nº 1 (5 Jul. 1839) - nº 268 (27 Maio 1840)
Diário
Proprietário e redactor: Joaquim António de Carvalho e Menezes
BNP - (Cota J. 772//4 M. ) - nº 1 (5 Jul. 1839) - nº 268 (27 Maio 1840) - Ficha bibliográfica (colecção completa