Descrição
Cabo Verde foi pioneiro na implantação da imprensa em África. De facto, o primeiro número do Boletim Official Geral de Cabo Verde, publicado na vila de Sal-Rei, ilha da Boa Vista, data de 24 de Agosto de 1842.
A existência nas ilhas de Santiago, São Nicolau, São Vicente e Boavista de sociedades recreativas, culturais e literárias contribuiu para a afirmação e o cultivo da imprensa. Por outro lado, panfletos que serviram para disputas políticas, para o ataque e defesa nos confrontos que se deram entre as elites, precederam e alavancaram a emergência da imprensa não-oficial.
A emergência de uma elite cabo-verdiana que se opunha ao governo local e aos planos coloniais da metrópole, foram entre os fatores que contribuiram para o surgimento de uma imprensa independente do governo. Na transição da Monarquia para a República, a propriedade dos jornais manteve-se ligada aos comerciantes e aos funcionários públicos, continuando a ser desempenhada por intelectuais que desejavam sobretudo propagar as suas causas e mobilizar as elites. A actividade jornalística continuou a estar conjugada à militância política.
Ao longo do Estado Novo apareceram títulos que procuraram ser críticos das políticas autoritárias e coloniais, contudo, estes logo foram suspensos ou sofreram pressões que os inviabilizaram. Por um lado, ganhou relevo na crítica ao regime uma imprensa literária, que através de contos, crónica e poesia escrita em crioulo abordou os problemas do arquipélago e manteve na agenda os temas nativistas. Por outro lado, o governo fez um forte investimento na imprensa, sendo os jornais sustentados pelo Estado os únicos que mantiveram a sua regularidade. Em suma, Estado e governo apropriaram-se da imprensa e o jornalismo desempenhou papéis característicos dos regimes autoritários, fazendo a sua propaganda, defendendo as suas políticas e reforçando a sua orientação ideológica e servindo como um instrumento de governação.