Descrição
No governo de Pedro Alexandrino da Cunha, em 13 de Setembro de 1845, foi publicado o primeiro número do Boletim do Governo Geral da Província de Angola. Alguns anos mais tarde, em 1856 deu-se a primeira iniciativa de imprensa não-oficial, com a publicação em Luanda de A Aurora, fundado por funcionários públicos, militares e advogados. No entanto, a imprensa noticiosa e independente concretizou-se em 1866, com A Civilisação de África Portuguesa, Semanário dedicado a tratar dos interesses administrativos, económicos, mercantis, agrícolas e industriais da África portuguesa, particularmente de Angola e S. Thomé.
O avanço do projecto colonial português, a desestruturação das sociedades africanas no interior e o enfraquecimento das elites afro-lusas dos centros urbanos contribuíram para o aumento das contradições entre os europeus e os africanos. Neste cenário, ao longo das décadas de 1880-90 fortaleceu-se uma imprensa africana que defendeu a república, advogou a independência de Angola, lutou pelos direitos dos africanos e pela sua igualdade de estatuto em relação aos europeus. No entanto, a perseguição do governo aos jornais e aos jornalistas, em especial aos periódicos de propriedade de africanos, levou ao enfraquecimento da imprensa e a desestruturação de muitos periódicos ao longo da década de 1890.
Ao longo do período republicano, a imprensa nativa perdeu o seu protagonismo, devido também aos conflitos entre os ‘filhos do país' e as elites europeias. De facto, a imprensa veio a traduzir os projectos e os conflitos dos grupos coloniais em Angola. A efemeridade dos títulos continuou a marcar o sector, justificada, pelos próprios periódicos, pelas dificuldades económicas e pelas pressões políticas, em especial do governo. Contudo, em simultâneo, surgiram títulos que se afirmaram e que iriam manter-se até 1974. Também se sublinha a continuidade da regionalização, com a criação de novos títulos e a consolidação da imprensa em Benguela, Moçâmedes e Malange
Com a ditadura e a emergência do Estado Novo, a imprensa de Angola foi condicionada pela censura, tendo-se alinhado às directrizes do regime autoritário. Tanto em Luanda quanto no interior da colónia, foram publicados inúmeros títulos, os quais incluíam informação, opinião e entretenimento. Se houve uma imprensa que fez uma crítica moderada às directrizes centralizadoras e proteccionistas do Estado Novo, esta conviveu com uma imprensa que apoiava o projecto político e colonial de Salazar. Assinala-se que a população africana desapareceu da agenda e dos conteúdos jornalísticos ao longo do período autoritário.
Os governos, metropolitanos, gerais e locais, foram decisivos na agenda jornalística, visto que os conteúdos políticos reportaram directrizes, planos, discursos e acções destes, sem questionamento ou crítica, e, na maioria das vezes de forma efusiva. A propriedade dos jornais, associada aos grupos económicos que apoiavam o regime, também foi uma forma do Estado intervir na imprensa.