Moçambique

Descrição

Ao longo do período colonial foram publicados centenas de títulos em Moçambique, a partir da introdução da tipografia na colónia em 1854. Nesse mesmo ano, foi publicada a primeira edição do periódico mais antigo e mais duradouro da colónia – o Boletim Official do Governo Geral da Província de Moçambique. Pouco mais que uma década depois, em 1868, surgiu a primeira iniciativa privada com O Progresso, logo suprimido pela instituição da censura prévia em Moçambique.

Opinativos e noticiosos, dedicados à informação generalista ou especializados, críticos e também apoiantes do governo, defensores e oponentes do projecto colonial: a combatividade marcou o percurso da imprensa em Moçambique, onde o jornalismo sempre esteve articulado às causas sociais e políticas da colónia e do império. Apesar da censura e da repressão aos títulos que se opusessem ao projecto colonial e às directrizes do regime português, da Monarquia ao Estado Novo continuamente emergiram títulos que se propunham independentes e contrariavam o status quo do império colonial. De facto, para se contornar o problema da censura chegou-se a recorrer frequentemente à publicação de 'números únicos' que, como esclarece Ilídio Rocha, não necessitavam de habilitação legal.

Várias têm sido as propostas de classificação desta imprensa por parte dos estudiosos, destacando-se alguns agrupamentos principais: imprensa operária, imprensa católica, imprensa socialista, entre outros. Uma imprensa 'africana', ou seja, escrita por africanos e dirigida para africanos surge apenas em 1909, na sequência da criação do Grémio Africano de Lourenço Marques (GALM), em 1908. Com o GALM nasceu o jornal O Africano, fundado pelos irmãos João e José Albasini em Março de 1909, que articulou não só os negros, mas também os brancos radicados na colónia e que defendiam os interesses dos africanos.

Com a ditadura, os 55 títulos publicados em Moçambique em 1925 reduziram-se para 42 em 1927 como efeito da nova Lei de Imprensa. Entretanto, não deixavam de brotar tentativas de uma imprensa livre e independente.

No pós-Segunda Guerra o nacionalismo despontou em Moçambique através das associações culturais de estudantes, de intelectuais e das organizações sindicais, o que originou uma intensa atividade de disseminação subterrânea das ideias, muitas vezes através de folhas e suplementos culturais e literários.

Até 1974 continuaram a brotar títulos que procuravam conjugar a independência jornalística à crítica ao regime colonial e autoritário.